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Política Brasileira voltada às IAs tem investimento bilionário até 2028

Política Brasileira voltada às IAs tem investimento bilionário até 2028

Exame
15/06/2026

Conhecida como PBIA, ela prevê cerca de R$23 bilhões em incentivos na área

 

Desde 2024 os principais projetos de Inteligência Artificial no Brasil estão regidos por um plano oficialmente conhecido como PBIA (Plano Brasileiro de Inteligência Artificial). Ele prevê o insumo de R$ 23 bilhões ao longo de quatro anos, ou seja, até 2028, com base em cinco eixos estratégicos. São eles:

  1. Transformar a vida dos brasileiros por meio de inovações baseadas em IA;
  2. Dotar o país de infraestrutura tecnológica de ponta, incluindo um dos cinco supercomputadores mais potentes do mundo, alimentado por energias renováveis;
  3. Desenvolver modelos avançados de linguagem com aprendizado de máquina em português e culturalmente orientado para o ambiente nacional;
  4. Formar e requalificar profissionais em larga escala;
  5. Promover o protagonismo global do Brasil na área da indústria de IA.

No entanto, especialistas questionam sua segurança e efetividade diante da necessidade vivida no mundo online.

“Ele é o instrumento que orienta como o país vai desenvolver e usar IA até 2028, e vale notar que dos R$ 23 bilhões previstos, quase 60% dos recursos estruturantes vão para inovação empresarial. Na prática, o que ele oferece às empresas é um custo de entrada menor, com infraestrutura, nuvem e capacitação que hoje pesam demais para quem quer começar”, explicou o CEO da Datarisk, Jhonata Emerick,.

Ele afirmou ainda que o plano não garante resultado por si só. “Ele aponta a direção, e a execução é que vai dizer se a gente chega lá”.

Para Fabrício Bertini Pasquot Polido, sócio do L.O. Baptista, o PBIA contém fragilidades substanciais, principalmente a inexistência de marcos e metas a serem alcançadas e um desenho orçamentário com objetivos aparentemente inalcançáveis em quatro anos e meio.

“Pouco mais da metade dos recursos (55%) corresponde a crédito, mecanismo que, mesmo em condições especiais tem se revelado ineficaz para promover a inovação no país, pois injetam um ambiente de incentivos sem compromissos de contrapartida do próprio Estado que induz a política, como destravamento setorial, administrativo, tributário e burocrático”, criticou ele.

Potencial do Brasil com as IAs

Por regra, inteligências artificiais precisam de datacenters para operar em larga escala. Esses, por sua vez, são conhecidos como grandes vilões na luta pela conservação ambiental, devido ao alto consumo de energia e de outros recursos naturais.

O Brasil possui recursos naturais em abundância e quase 90% da energia utilizada no País é renovável, ou seja, se torna uma excelente sede para a maioria dos datacenters de empresas preocupadas com a manutenção ambiental.

“Entre as vantagens estratégicas mais significativas, destaca-se a matriz energética predominantemente limpa, com 89,2% de fontes renováveis, que confere ao país uma posição de liderança esperada para a instalação de data centers com baixo impacto ambiental, em cenário global cada vez mais atento com as metas de redução de emissão de carbono”, disse Fabrício.

Por outro lado, Jhonata destaca que é basicamente impossível concorrer em modelos de fundação com países como os Estados Unidos e a China, principalmente devido ao investimento astronômico dessas nações no tema.

“Agora, em IA aplicada, o jogo é outro, e nisso o Brasil sempre foi bom: o Pix e o agronegócio mostram que sabemos pegar tecnologia e resolver problemas reais em escala. A referência possível, e ela é relevante, está em usar os nossos dados para resolver os nossos próprios problemas”, destacou o CEO da Datarisk.

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