26/03/2026
O Globo
Por João Sorima Neto
Certame acontece no próximo dia 30, na B3, em São Paulo
O consórcio RIOGaleão, formando pela gestora brasileira Vinci Compass e pela Changi, de Cingapura, a espanhola Aena e a suíça Zurich entregaram propostas para o leilão de repactuação do Galeão, que acontece no próximo dia 30, na B3, em São Paulo. A entrega dos envelopes com os lances aconteceu nesta terça-feira, também na B3.
O governo espera arrecadar R$ 1,5 bilhões com o leilão, conforme O GLOBO antecipou na última segunda-feira. A outorga mínima é de R$ 932 milhões, segundo o edital.
No mercado, a participação da Aena e da Zurich era dada como certa. A Aena já tem a concessão do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e poderia criar incentivos para ponte-aérea Rio-São Paulo, uma das rotas mais movimentadas do país.
A Zurich, por outro lado, já tem um escritório no Rio. Para ela, a recuperação do movimento de passageiros no Galeão, além do anúncio da Gol como base internacional da companhia naquele terminal, também é um novo estímulo. A suíça já administra os aeroportos de Florianópolis, Vitória, Natal e Macaé (RJ).
Quem vencer o leilão terá o controle da operação do aeroporto, já que os 49% de participação da Infraero serão eliminados. No consórcio RIOGaleão, a Vinci Compass tornou-se a controladora após ter comprado participação da Changi. Atualmente possui 70% da RIOGaleão, enquanto a Changi ficou com 30%. Caso a RIOGaleão mantenha a concessão, vencendo o leilão, a Vinci Compass terá fatia de 85% enquanto a Changi ficará com 15%.
O novo vencedor permanecerá responsável pela operação até 2039.
O Galeão fez parte das primeiras rodadas de concessão de aeroportos, em 2013, ainda no governo Dilma Rousseff. Com outorga mínima de R$ 4,8 bilhões, o terminal foi arrematado por R$ 19 bilhões pelo consórcio então formado por Odebrecht Transport e Changi. A Infraero ficou com 49% do terminal, na regra original.
As projeções de movimentação de passageiros e receitas acabaram frustradas, e a outorga oferecida ficou cara demais. Em 2017, a Changi comprou a parte da Odebrecht no negócio. A situação do aeroporto tinha se agravado com a crise econômica e a pandemia piorou o cenário.
Entre as principais alterações neste leilão de repactuação estão a transformação da outorga anual fixa em variável, conforme o faturamento do aeroporto, e desobrigação de fazer investimentos pesados, como construção de uma nova pista.
Ativo único
O leilão de repactuação ocorre sob um desenho contratual reformulado, resultado de negociações entre o governo, o Tribunal de Contas da União e a Agência Nacional de Aviação Civil. Por isso, segundo o advogado Felipe Kfuri, sócio do L.O. Baptista Advogados e especialista em direito empresarial e infraestrutura, atraiu o interesse de outras grandes concessionárias, como a Aena e a Zurich Airport.
No caso da Aena, diz o especialista, o Galeão é avaliado como um ativo complementar a seu portfólio no Brasil. A Aena Brasil opera atualmente 17 aeroportos no país, espalhados por nove estados e quatro regiões, tornando-se a maior operadora aeroportuária do país em número de terminais. Além de Congonhas (SP), o segundo maior em volume de passageiros no país, estão sob administração dos espanhois terminais no Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Norte.
— O aeroporto agrega maior capacidade instalada, vocação para voos internacionais e melhor adequação a conexões domésticas de maior alcance, ampliando a exposição da operadora a fluxos e receitas distintos daqueles associados à operação de alta frequência e curta distância — ele.
Já Para a Zurich, o Galeão representa a possibilidade de incorporar um aeroporto de maior escala e relevância à sua operação no Brasil, hoje concentrada em terminais regionais e de médio porte. A entrada em um ativo com maior densidade de tráfego e potencial comercial amplia o escopo da operação da Zurich no país e reforça sua presença no Sudeste, região central para a aviação nacional.
David Goldberg, sócio-diretor da A&M Infra, afirma que era esperado o interesse de outras concessionárias já que o Galeão é um ativo de classe mundial, bom para o portfólio de qualquer grande operadora internacional. E também porque o leilão foi estruturado de uma forma atrativa.
— Não demanda investimento, é um ativo completamente brownfield (já em operação), o que o torna mais fácil de estudar, preparar uma oferta e entrar na disputa. Então faz sentido que as concessionárias que já operam no país enxerguem muito valor num ativo desse porte. O Galeão é o segundo grande aeroporto internacional de entrada no Brasil, atrás apenas de Guarulhos. Você tem um tráfego internacional significativo, que é uma particularidade desses grandes hubs, que possuem apenas esses dois representantes no país. Então, para empresas como Zurich e Aena, é um ativo único — explica.
Disponível em: Aena, Zurich e RIOGaleão vão disputar leilão do aeroporto Galeão
