Análise
04/04/2025
Entre alianças estratégicas e a abertura de sedes próprias no exterior, especialistas comentam sobre as principais estratégias de internacionalização adotadas em seus escritórios
“Para escritórios de grande porte, considero obrigatória a internacionalização, uma vez que lidam com clientes que possuem demandas fora do Brasil e também com empresas estrangeiras que estão entrando no mercado brasileiro”, afirma Marcel Daltro, sócio e diretor institucional do Nelson Wilians Advogados. O sócio também destaca que, para bancas menores, a internacionalização pode ser um diferencial competitivo em um mercado concorrido.
Cada vez mais, escritórios expandem suas fronteiras para atender às demandas de clientes globais, acessar novos mercados e diversificar suas áreas de atuação. Diante desse cenário, surgem dois modelos predominantes: as alianças estratégicas e a abertura de uma sede própria no exterior.
Alianças estratégicas: flexibilidade e alcance internacional
Simone Dias Musa, managing partner do Trench Rossi Watanabe, corrobora a eficiência desse modelo: “As alianças estratégicas se destacam por facilitar a divulgação em âmbito internacional do trabalho no Brasil, além de tornar mais fluído o apoio a potenciais clientes estrangeiros”.
A flexibilidade é um dos principais atrativos. Cássia Monteiro, sócia da área de Societário do L.O. Baptista Advogados, ressalta que esse modelo “oferece acesso mais ágil e flexível a novos mercados, sem criar exclusividade e impedimento de múltiplas alianças”. Além disso, permite que pequenos e médios escritórios também explorem nichos especializados. Para Paulo Coelho da Rocha, managing partner do Demarest, essas alianças precisam ser sustentadas pela excelência do serviço prestado. “Ter parceiros associados é fundamental e a qualidade do relacionamento é construída a partir do trabalho de qualidade”.
Sede própria: presença física com impacto direto
Contudo, a instalação de uma filial envolve desafios regulatórios, fiscais e culturais. Algumas legislações são similares à brasileira, o que facilita o processo de adaptação, enquanto outras, como o sistema de Common Law dos Estados Unidos, são completamente diferentes. “Um problema comum é que alguns escritórios abrem filiais sem uma presença efetiva, o que pode gerar questões regulatórias e fiscais. Se um escritório gera negócios em determinado país, o fisco local pode questionar e tributar parte dos rendimentos, mesmo que a operação esteja formalmente baseada no Brasil”, alerta Catão.
Daniel Toledo, especialista em Direito Internacional do Toledo e Advogados Associados, reforça as dificuldades operacionais. “O grande problema de abrir uma filial no exterior é que você precisará contratar um advogado licenciado naquele país e, muitas vezes, especificamente no estado em questão, pois, na maioria dos casos, não há uma licença nacional, e sim regional. Isso gera um custo. Por isso, a abertura de uma filial é sempre muito mais complexa do que as pessoas imaginam.”
Apesar das barreiras, a presença física pode ser um diferencial importante. Henrique Martins, do Candido Martins Cukier, observa que “clientes e escritórios enxergam a presença física em outra jurisdição com bons olhos e isso traz uma segurança maior ao trabalho”.
Tecnologia: uma aliada, mas não substituta
“A tecnologia facilita a execução do trabalho e a integração das equipes, mas não substitui a necessidade de um posicionamento estratégico no exterior”, afirma Marcel Daltro. “A presença física ou o estabelecimento de alianças são essenciais para absorver demandas e consolidar a atuação internacional”. José Setti Diaz, sócio do Demarest, reforça: “Desde a pandemia as equipes trabalham de forma eficiente e integrada, independentemente da localização”.
Personalização das estratégias de internacionalização
Daniel Toledo compartilha uma experiência pessoal que ilustra o processo de tentativa e erro. “Quando tomei a decisão de internacionalizar meu escritório, minha carreira e minha profissão, vivi uma situação que teve um lado positivo e outro negativo. O lado positivo foi o fato de ser um desbravador… Mas o lado negativo é que também não havia referenciais claros sobre o que dava certo ou errado. Então, inevitavelmente, você se coloca numa posição de aprendizado constante”.
Internacionalização: Exclusividade ou diferencial?
Disponível em:Conheça os principais modelos de internacionalização jurídica | Análise
