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Para acelerar IA, Trump segue plano de Biden

Para acelerar IA, Trump segue plano de Biden

Valor Econômico
23/01/2025

Ao embarcar no anúncio de uma joint venture de US$ 500 bilhões, em quatro anos, entre Softbank Group, OpenAI e Oracle para financiar a infraestrutura de inteligência artificial (IA) nos Estados Unidos, na terça-feira (21), o presidente Donald Trump mostrou que seu governo quer acelerar a expansão de investimentos em tecnologia, mantendo uma política do antecessor Joe Biden.

O incentivo à expansão de “data centers” já fazia parte da agenda do democrata, que destinou US$ 53 bilhões, em benefícios fiscais e empréstimos, para estimular a produção local de chips.

Mas Trump não sinaliza que fontes renováveis de energia para abastecer os centros de dados serão uma prioridade. O avanço agressivo de “data centers” nos EUA terá um preço ambiental, considerando que a exploração de petróleo e gás é um dos focos da nova gestão, como o republicano frisou em seu discurso de posse, na segunda-feira (20).

Os investimentos globais em equipamentos (hardware) e software para projetos de IA devem crescer entre 40% e 55% ao ano, alcançando até US$ 990 bilhões em 2027, segundo uma pesquisa da consultoria Bain & Company. Neste mesmo período, o consumo anual de energia dos “data centers” em todo o mundo pode mais que dobrar em relação ao consumo de 380 Terawatts por hora (Tw/h) em 2023 superando 1 milhão de Tw/h em 2027.

Atender à demanda global dos “data centers” pode custar mais de US$ 2 trilhões em novas fontes de geração de energia nos próximos dois anos, projeta a consultoria.

O próprio comportamento de aplicações de IA já eleva o consumo de energia dos centros de dados. Entre 2019 e 2023, um ano após o anúncio do ChatGPT, da OpenAI, a demanda global dos centros de dados por energia saltou 72%, devido à explosão da IA, informa a Bain. “Enquanto uma aplicação habitual é ‘desligada’ quando não está em uso, portanto não consome recursos, chatbots e outros elementos de AI ficam ‘ligados’ o tempo todo”, diz o diretor de pesquisa, infraestrutura empresarial e serviços de nuvem da consultoria IDC na América Latina, Pietro Delai. “Isso faz com que aplicações de IA já representem mais de 12% da capacidade de tecnologia dos data centers”.

Com o peso cada vez maior da IA, os centros de dados serão responsáveis por 2,6% do consumo de energia do mundo em 2027, ante a fatia de 1,4% atual, aponta a Bain.

“Associar o desenvolvimento de IA aos ‘data centers’ não deixa de trazer preocupações ambientais, algo que o presidente Trump já refuta ou nega porque retira os Estados Unidos do Acordo de Paris”, observa o advogado e sócio da área de direito digital do LO Baptista Advogados, Fabrício Polido. O escritório de advocacia atende empresas privadas e associações industriais de tecnologia, incluindo “data centers” e IA, telecomunicações, mídia, energia, finanças e outros setores.

O cenário de expansão de centros de dados é importante para outros países, como o Brasil, “sobretudo se os projetos de ‘data centers’ estiverem ligados a uma matriz energética limpa”, nota Polido. De olho na matriz energética brasileira, gigantes de tecnologia como Microsoft e AWS anunciaram no ano passado investimentos bilionários em expansão de centros de dados no país.

Em setembro, o executivo-chefe (CEO) global da Microsoft, Satya Nadella, veio a São Paulo revelar um aporte de R$ 14,7 bilhões em centros de dados locais da empresa, nos próximos três anos. No mesmo mês, a AWS, empresa de serviços de nuvem da Amazon, anunciou um investimento de R$ 10,1 bilhões até 2034 para expandir sua infraestrutura de data centers no Estado de São Paulo. O montante se soma aos R$ 19,2 bilhões já investidos pela empresa no país de 2011 a 2023.

O anúncio da joint-venture entre Oracle, OpenAI e Softbank apoiado pela agenda mais pragmática da nova gestão Trump, foi bem recebido pelo mercado financeiro. Nesta quarta-feira (22), as ações da Oracle tiveram alta de 6,73% na bolsa americana Nasdaq. Os papéis do grupo Softbank subiram 10,62% na bolsa de Tóquio.

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