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Rota Sertaneja reforça maior presença de estrangeiros em leilões de rodovias federais

Rota Sertaneja reforça maior presença de estrangeiros em leilões de rodovias federais

Broadcast
07/11/2025

Por Elisa Calmon e Luiz Araújo

O leilão da Rota Sertaneja (BR-153/262/GO/MG) reforçou a tendência de aumento da participação de grupos estrangeiros nos certames de concessões rodoviárias federais. Dos quatro proponentes, dois eram internacionais: a francesa Vinci e o grupo espanhol Copasa, que disputou em parceria com a brasileira Construcap. O ativo, porém, acabou arrematado pela brasileira Way Concessões, em um certame que também contou com a presença da XP.

Ainda que de forma gradual, grupos internacionais têm aparecido com mais frequência nos leilões de rodovias A Vinci conquistou, em setembro de 2024, a Rota dos Cristais (BR-040/GO/MG), marcando a primeira vitória de uma empresa internacional em concessões rodoviárias em 17 anos. Já a Construcap e os espanhóis Copasa e OHLA conquistaram, em abril de 2025, a BR 040/495, que liga o Rio de Janeiro a Juiz de Fora (MG).

Mais recentemente, em outubro, a Mota-Engil, empresa de Portugal com capital chinês, arrematou a operação do túnel Santos-Guarujá, desbancando a espanhola Acciona. O grupo português participou também recentemente da disputa pelo Lote 4 de rodovias do Paraná, conquistado pela EPR.

O bloco 5, por sua vez, teve o Patria como ganhador. A gestora anunciou, no mês passado, a captação de R$ 15,4 bilhões no maior fundo de investimento para infraestrutura da América Latina. A operação contou com investidores da Ásia, Europa, EUA e também da própria região.

A expectativa é que a participação estrangeira continue ganhando tração, segundo o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, George Santoro. “Cada vez mais, empresas estrangeiras têm analisado os projetos. Temos grupos mexicanos e fundos canadenses analisando os projetos, assim como empresas chinesas participando de roadshows. A tendência é aumentar”, diz.

Para Diego Fonseca Silva, do escritório Rolim Goulart Cardoso Advogados, o avanço ainda ocorre com cautela, mas indica crescimento gradual da confiança externa no ambiente regulatório brasileiro. “Esses players vêm se familiarizando com a estrutura normativa e com a atuação dos órgãos de controle, especialmente o TCU, cuja intervenção técnica reforça a credibilidade, mas impõe uma curva de aprendizado”, afirma.

Felipe Kfuri, sócio da área de Infraestrutura do L.O. Baptista, observa que a presença internacional no setor não é inédita, mas ganha novo fôlego com o atual pipeline de projetos. “A presença internacional é positiva porque amplia a concorrência, traz capital de longo prazo e reforça a credibilidade do programa brasileiro”, diz.

Competição aquecida

A alta competição no certame de hoje foi destacada por Aline Klein, especialista em infraestrutura e sócia do Vernalha Pereira. Para ela, o resultado reforça a solidez do programa federal mesmo em um cenário de juros elevados. “Três das quatro propostas apresentaram deságio superior a 18%, quando passa a haver obrigação de aporte adicional. Isso demonstra confiança do mercado no projeto”, afirma.

Aline lembra que havia preocupação com a capacidade de absorção do grande volume de leilões previstos para 2025, mas os resultados têm dissipado as dúvidas. “Tivemos novamente um certame bastante disputado, com licitantes de perfis distintos. O interesse privado permanece elevado.”

Conforme mostrou a Broadcast, 2025 está com a maior concorrência média da última década considerando os anos que tiveram mais de um projeto leiloado. Isso se reflete também nos descontos. O deságio de 24,8% oferecido pela Way pela Rota Sertaneja é o maior desde o fim de 2024, quando a Motiva (antiga CCR) venceu o Lote 3 do Paraná ao ofertar 26,6%. Esse é o terceiro leilão consecutivo em que a marca é batida, já que a EPR ofereceu 21,3% para conquistar o Lote 4 e o Patria, 23,83% pelo Lote 5 nas últimas semanas.

Rota Sertaneja

A Rota Sertaneja sucede a devolução amigável da operação pela Concebra, do Grupo Triunfo, aprovada pelo TCU como parte do processo de relicitação. O corredor inclui trechos atualmente operados pela concessionária e, para a Way Concessões, representa forte sinergia com outro ativo já administrado pela empresa, a Way 262, também oriunda do antigo contrato da Concebra. A operadora chegou ao leilão após disputar o Lote 5 do Paraná, em que foi superada pela EPR.

Segundo os analistas, os contratos redesenhados após devoluções costumam trazer matrizes de risco mais claras e mecanismos mais precisos de reequilíbrio econômico-financeiro, o que reduz incertezas para novos operadores. “Os estrangeiros observam com muita atenção esses modelos. Quando percebem amadurecimento, voltam ao mercado”, afirma Kfuri.

A Rota Sertaneja soma 530,6 quilômetros que cortam 21 municípios entre Hidrolândia (GO) e Comendador Gomes (MG). A previsão é de cerca de R$ 10,2 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos de contrato, sendo R$ 5,3 bilhões em obras (capex) e R$ 4,9 bilhões em custos operacionais (opex).

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