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Search Fund se consolida como alternativa para sucessão e venda de empresas

Search Fund se consolida como alternativa para sucessão e venda de empresas

Investing.com
03/09/2025

Por Renata Castro Veloso, Tiago Dowsley e Marcelo Espiga

A retração global do venture capital tem mudado o jogo dos investimentos. No primeiro trimestre de 2025, segundo a KPMG, os fundos que apostam em startups captaram US$ 26 bilhões no mundo, distribuídos entre 191 fundos — o pior desempenho para o período desde 2017. Para efeitos de comparação, no mesmo intervalo de 2024 o montante foi de US$ 31 bilhões.

Ao mesmo tempo, algumas empresas enfrentam o desafio da sucessão, muitas vezes sem herdeiros dispostos a assumir o comando. Nesse cenário, um modelo de investimento começou a ganhar força: os Search Funds. E 2024 foi um ano histórico para o setor, com recorde de novos fundos criados no Brasil e na América Latina.

Criado nos anos 80 em universidades americanas como Stanford e Harvard, o Search Fund é um modelo de investimento que vem crescendo no Brasil e se mostra uma alternativa atraente para donos de empresas que pensam em vender ou organizar uma sucessão estruturada.

Em linhas gerais, é uma estrutura em que empreendedores (chamados de Searchers) levantam capital com investidores para comprar e operar uma empresa de pequeno ou médio porte, lucrativa e com potencial de expansão.

Na prática, o Searcher levanta recursos para bancar a fase de prospecção. Nesse período mapeia mercado, avalia e identifica negócios sólidos, conversa com proprietários (que muitas vezes desejam se aposentar ou reduzir sua participação no dia a dia da empresa) e conduz a due diligence.

Depois, com a empresa-alvo definida, apresenta a oportunidade aos investidores, que podem aportar novos recursos para viabilizar a compra. Fechada a transação, o empreendedor assume como CEO, implementando melhorias operacionais e estratégias de crescimento, com apoio de investidores experientes para acelerar o crescimento. Alguns anos depois pode ocorrer uma venda, fusão ou outra saída estratégica.

O modelo traz vantagens para os dois lados. Em vez de criar uma empresa do zero, o Searcher assume o comando de um negócio já validado, mas que precisa de capital, gestão profissional e visão de longo prazo. Já para os donos de empresas, por outro lado, permite-se uma sucessão estruturada quando não há herdeiros interessados, ajuda a preservar a cultura e o legado do negócio e amplia o acesso a capital e know-how por meio da rede de investidores.

O Brasil tem se consolidado como um dos principais mercados para Search Funds na América Latina, juntamente com o México. Diversos fundos e operações já estão em andamento, com apoio de instituições como Insper, Endeavor, Harvard Alumni e investidores-anjo.

E há espaço para crescer mais: segundo dados da Fundação Dom Cabral e IBGE, existem entre 60 e 80 mil empresas de médio porte no Brasil que podem ser alvo desse tipo de operação.

A tendência, portanto, é que o modelo se expanda rapidamente, atraindo tanto empreendedores com experiência executiva quanto investidores interessados em diversificar suas carteiras.

Para quem busca transformar a sucessão em oportunidade de crescimento ou realizar o valor construído ao longo de anos, os Search Funds aparecem como uma alternativa estratégica.

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