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‘Tarifaço’ traz risco maior para pequenos e médios exportadores, apontam analistas

‘Tarifaço’ traz risco maior para pequenos e médios exportadores, apontam analistas

Portos e Navios
11/07/2025

Por Nelson Moreira

Especialistas que trabalham no assessoramento a empresas consultados pela Portos e Navios concordaram que, se as tarifas de 50% para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos forem adotadas a partir de agosto, como anunciou o presidente norte-americano, Donald Trump, os pequenos e médios exportadores serão os mais prejudicados. A advogada Tania Laredo, gerente sênior da área aduaneira elo escritório Gaia Silva Gaede, disse não ter dúvida que, se o aumento for mantido, o Brasil deve responder através de medidas baseadas na Lei de Reciprocidade Econômica, o que pode inclusive levar a uma guerra comercial entre os dois países.

Ela sugeriu que as empresas exportadoras busquem assessoramento jurídico para análise, caso a caso, dos impactos e riscos que sofrerão. Tania disse ainda que as tarifas podem inviabilizar transações comerciais de pequenos ou médios exportadores, que podem ver o custo da exportação superar o ganho que se teria com a operação. “É evidente que isso impactará mercado nacional, na questão produtiva e na questão dos empregos gerados as exportações”, comentou.

Felipe Molina Costa, advogado e especialista em Direito Societário e Tributário do Grupo Nimbus, considera que a decisão de Trump tem nítido caráter político, com uso da política comercial como instrumento de pressão ideológica. Para ele, o Brasil precisa responder com firmeza, mas com estratégia, fortalecendo sua interlocução multilateral e diversificando parcerias comerciais para reduzir vulnerabilidades externas, buscar respaldo na
Organização Mundial do Comércio (OMC) e fortalecer acordos com parceiros como União Europeia e China. “A soberania institucional brasileira não pode ser condicionada a interesses eleitorais estrangeiros”, analisou.

Molina Costa avalia que setores como o agronegócio, especialmente exportadores de café, suco de laranja e carne bovina, podem perder competitividade imediata no mercado norte-americano. Além disso, ele acredita que a medida tende a afetar o câmbio, pressionar os custos internos e gerar insegurança jurídica para investidores.

Fabricio Pasquot, sócio do LO Baptista, é outro que vê os pequenos e médios exportadores como os mais expostos a riscos. Ele explicou que esses setores operam com margens estreitas e poucos canais de comercialização no exterior e não dispõem de departamentos jurídicos ou áreas técnicas capazes de responder rapidamente. “Contratos de fornecimento com cláusulas em dólar, acordos logísticos com prazos rígidos e entregas programadas para os próximos trimestres correm risco de inadimplemento ou inviabilidade econômica”, alertou.

Pasquot lembrou que pequenos e médios exportadores vinham ampliando sua presença nos EUA graças à queda de concorrência local, especialmente no setor de produtos manufaturados menos tecnológicos, alimentos e
bebidas. “Agora, esses agentes podem enfrentar difícil tarefa de renegociar condições comerciais ou buscar novos mercados sem preparo estrutural para isso”, afirmou.

“Os pequenos e médios exportadores estão em posição mais vulnerável. Sem áreas jurídicas ou comerciais especializadas, muitas vezes não conseguem acompanhar mudanças regulatórias nem reagir com agilidade”, assegura Eduardo Brasil, advogado e sócio do Fonseca Brasil. A recomendação dele é ter cautela e buscar orientação profissional desde já, para evitar decisões precipitadas ou mal fundamentadas.

Segundo Eduardo Brasil, o principal conselho é manter a calma e agir com prudência porque o cenário pode mudar rapidamente, tanto para melhor quanto para pior. “Diante desse grau de incerteza, o melhor caminho adotar uma postura preventiva e estratégica: mapear os riscos de acordo com o perfil das exportações, revisar contratos internacionais com atenção especial às cláusulas de risco político e variação tarifária, e acompanha perto os movimentos diplomáticos entre os Estados Unidos e o Brasil”, aconselhou.

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