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Escritórios de advocacia conseguem faturar mais em meio à pandemia

Escritórios de advocacia conseguem faturar mais em meio à pandemia

Valor Econômico
29/1/2021

Por – Beatriz Olivon

Demanda surpreendeu e em algumas bancas receita cresceu em relação a 2019

Fusões e aquisições mercado de capitais e discussões tributárias e trabalhistas ligadas à crise garantiram um bom movimento para os escritórios de advocacia em 2020. O faturamento em algumas bancas chegou a superar o alcançado em 2019. E a expectativa é de a demanda por ser só Jurídicos mesmo com a continuação da pandemia permanecer e malta neste ano.

“Terminamos 2020 melhor do que em 2019. Em março eu acharia que isso era uma piada” diz Alexandre Bertoldi sócio-gestor do escritório Pinheiro Neto um dos maiores do país. Contávamos com coisas que não aconteceram, Há um ano estávamos muito animados. O ano e 2020 parecia promissor com juros baixos e promessas de privatização”

As privatizações, afirma, decepcionaram assim como os julgamentos de grandes causas no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Em meio a pandemia as sessões passaram a ser limitadas a processos de até R$ 8 milhões – hoje o teto está em R$ 12 milhões.

No segundo semestre, porém, explica Bertoldi, as operações de fusões e do mercado de capitais voltaram, influenciados pelos juros baixos e o dólar alto. E superaram as expectativas. Em 2020 as empresas brasileiras conseguiram captar R$ 1193 bilhões por meio de ofertas e ações – 32,6% mais que em 2019.

Foi a melhor performance da história com exceção de 2010 que foi positivamente afetado por uma capitalização da Petrobras, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Questões tributárias e trabalhistas também movimentaram os escritórios de advocacia segundo Renato de Melo Jorge Silveira presidente do Instituto dos Advogados de São Paulo (ASP). Havia dúvidas, acrescenta, sobre as alterações legislativas que permitiram redução de jornada e salários e também adiar o pagamento de tributos.

O próprio home office e adequações das empresas às exigências de máscaras e distanciamento, afirma o advogado, levaram a consultas ou mesmo ações judiciais. “Tudo que aconteceu em 2020 gerou uma série de mudanças na advocacia. Foi fundamental reaprender a trabalhar, afirma Silveira.

A área trabalhista foi uma das mais demandadas em 2020, de acordo com o advogado André Mendes, sócio do escritório LO Baptista. “Na pandemia sugiram dúvidas sobre home office e contratos. Tivemos muita procura pelo consultivo trabalhista”, diz. “Em um cenário de crise econômica, é normal ter mais ações judiciais, mais empresas em dificuldade, quebra de contrato”, acrescenta.

Além das questões trabalhistas também foram importantes em 2020 movimentos de redução de custos de produção, incluindo os resultantes de fusões e aquisições e as recuperações judiciais, segundo Marcelo Guimarães da consultoria Swot Global. O movimento nessas áreas deve continuar em alta em 2021, aposta o consultor, “tendo em vista a possibilidade de recuperação econômica em K” – em que após uma queda brusca alguns setores se recuperam e voltam a crescer e outros seguem em queda.

“Comércio não vai voltar como era antes. Hotel não vai voltar. Companhia aérea é uma dúvida” diz Guimarães. “Algumas empresas vão precisar se reinventar para continuar no mercado e isso significa trabalho para os escritórios de advocacia”
A advogada Daniela Floriano, que abriu em maio um escritório próprio especializado em contencioso tributário aduaneiro, afirma ter ficado surpresa com o movimento. “Houve uma movimentação maior do que eu imaginei no começo”, diz ela, acrescentando que julgamentos não pararam nem a autuações.

“O ano de 2020 acabou acelerado e agora há uma expectativa melhor com as vacinas”, afirma Tito Andrade sócio administrador do Machado Meyer. O mercado de capitais, segundo ele, esfriou um pouco no começo da pandemia e foi nesse momento que as áreas de contratos, trabalhista e tributário compensaram a demanda. “À medida que o tempo passou os trabalhos voltaram e tivemos um ano muito bom, talvez um dos melhores da nossa história”.

Para Roberto Quiroga Mosquera, sócio diretor do Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr e Quiroga Advogados, o primeiro semestre deste ano será um “xerox” de 2020. “Muita coisa de contencioso, mercado financeiro e trabalhista que já estabilizou”, afirma. As apostas para o ano são as práticas ESG (ambientais, sociais e de governança), meios de pagamento por causa do PIX e infraestrutura. Em termos de faturamento, 2020 foi melhor para o escritório que 2019, crescendo mais de 14%, segundo o sócio.

Thomas Felsberg, sócio do Felsberg Advogados, considera importante a aprovação de grandes reformas como a tributária e a administrativa. Mas pondera que enquanto elas estão emperradas, as “menorzinhas” estão saindo, o que gera mais trabalho. A banca tem expectativas na área de projetos de infraestrutura, que foi bem em 2020 e aponta para o mesmo caminho neste ano.

Para pequenos escritórios, porém, o ano de 2020 foi difícil, de acordo com o dirertor-tesoureiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), José Augusto Noronha. Principalmente para quem vinha atuando como correspondente – era contratado por escritório para despachar ou realizar sustentação oral em outras cidades.

Por causa dos julgamentos virtuais, Daniel Gerber, criminalista e sócio do Gerber Advogados Associados, não precisou de correspondentes. “Agora que tudo ficou virtual, foi otimizado”, diz. O advogado fez mais reuniões pela praticidade do meio virtual e considera que a troca de informações ficou mais acessível.

“A pandemia mudou a advocacia, mas temos um cenário positivo para os advogados em 2021, com foco na redução de custos e continuidade do trabalho remoto”, afirma Noronha, da OAB. “Os problemas que a pandemia gerou no ambiente de negócios precisarão ser resolvidos neste ano”.
Disponível em: https://valor.globo.com/legislacao/noticia/2021/01/29/escritorios-de-advocacia-conseguem-faturar-mais-em-meio-a-pandemia.ghtml

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